História

Na China, da Índia, do Egipto, e da América do Sul, era praticada a geofagia (literalmente: comer terra), com o fim de combater a prisão de ventre e prevenir enterites.

Os antigos médicos egípcios prescreviam a argila por via interna, quando pretendiam combater inflamações e úlceras, e de forma externa quando tratavam deformações artríticas (casos em que utilizavam as lamas quentes do Nilo). Na mumificação dos corpos, não dispensavam a argila, pelas suas propriedades anti-sépticas.

Os chineses utilizavam a compressa de argila para curar inflamações. Através de relatos, em documentos anteriores à nossa era.

Na Índia antiga, chegou a haver instalações próprias para os banhos curativos de lama argilosa.
Os árabes, enterrar os reumáticos em argila branca, e recorria à argila húmida para tratar a malária.
Os assírios e babilónios tratavam variadas afecções com lama preta.
Os índios bolivianos faziam pequenas estatuetas em argila, invocadoras de figuras sagradas, que depois comiam ritualisticamente com finalidade terapêutica.

Entre os Citas, nas margens do Mar Negro, o emprego terapêutico da lama era muito difundido.

Os gregos, contemporâneos de Homero, mencionaram nos seus escritos as propriedades medicinais de terras curativas, destacando-se as existentes na colina Mosychlos, de origem vulcânica, pertencente à Ilha de Lemmos. Apesar de não se ter referido a ela nos seus escritos, talvez por se tratar de uma substância amplamente utilizada por toda a gente, Hipócrates (460-375 a. C.) terá certamente assistido a diversos milagres terapêuticos operados com a terra de Lemmos (assim como de terras de outras origens), que tanto se utilizavam na forma de compressas, com fim refrescante, como por ingestão, após dissolução na água.

O médico e botânico grego Dioscórides, o árabe Avicena, assim como Plínio e Galiano médico e físico, fazem referências elogiosas ao uso da argila.
Por ocasião da epidemia da peste de Braunschweig, em 1600, o médico L. Giessler fez um relatório onde elogiou o uso da argila contra esse flagelo devastador.

O médico silesiano Johannes Schulz, tornou tão famosa a terra curativa de Striegau, que provocou especulações financeiras, tendo aparecido diferentes terras em embalagens rotuladas com o cunho dos brasões das cidades saxónicas.

Os grandes naturopatas alemães, Kneip, Kuhn, Just e Felke, foram quem mais contribuiu para o renascimento do emprego da argila no contexto dos tratamentos naturais, dos quais o grande Mahatma Gandhi foi um fiel adepito e recomendava o seu emprego.

O naturopata Adolf Just não tarda em conseguir resultados admiráveis nos mais diversos tratamentos a que submete os doentes que o procuram.

Das terras curativas utilizadas por Just, tornou-se famosa a de Luvos, por ter curado a cólera asiática, conforme testemunha de um médico berlinense, o Prof. Julius, que a empregou com extraordinário êxito.

Durante a guerra mundial, os soldados russos recebiam 200g de argila do comando militar (segundo Wacker), e em certos movimentos franceses associavam-na à mostarda, eliminando assim totalmente a desinteria que destroçava outros regimentos vizinhos.

No México, nas Índias, no Sudão e na América do Sul (Alto Orenoco, Cassiquare, Meta e Rio Negro), as populações amassavam a terra em bolinhos redondos ou espalmados e secavam-nos ou coziam-nos quando os queriam comer.

Na Suíça e na Alemanha, foi onde os médicos durante mais tempo recorreram à argila. Em Davos – importante centro suíço de tisiologia – utilizou-se a Geoterapia como recurso terapêutico privilegiado. O tórax era totalmente revestido com uma massa de argila bem quente, e deixava-se o emplastro permanecer toda a noite no local. Com este tratamento conseguiam-se, muitas vezes, curas miraculosas.

A argila foi usada para acabar com a cólera que assombrou os russos em 1945. Até hoje ela é a solução de moradores da roça nordestina. Com tantos poderes catalogados na história e apregoados boca a boca, sua aplicação na pele ganhou nome de tratamento — geoterapia — e está sendo indicada por médicos contra inflamações, infecções e até tumores.

Manuel Lezaeta Acharan, um dos mais eminentes naturopatas recomendava incluíam a aplicação de enfaixamentos de argila sobre o ventre, durante a noite.

Durante estes últimos anos tem-se utilizado da argila, com fins terapêuticos, e conhecemos as suas propriedades. A medicina alopáta tratar das perturbações gástricas, com derivados de alumínio, manipulados laboratorialmente, quando sabemos que a argila é composta, na sua maior parte, por silicato de alumínio. E há uma característica da ação cicatrizante da argila, que não se deve apenas ao alumínio como fator ponderal: é o fato de possuir uma sinergética natural, com componentes dosados de forma equilibrada pela natureza.

1,966 total views, 1 views today